Hoje foi um daqueles dias
atípicos em que me sinto extremamente triste. Justo eu, que apesar de ser como
sou, estou sempre sorrindo e positiva. Hoje, uma pessoa muito próxima me
decepcionou (afinal, só conhecemos alguém quando esse um nos decepciona).
Uma raiva
incontrolável tomou conta do meu coração. Sentimento péssimo, mas como disse,
difícil de controlar. Ele se instala e tende a crescer, conforme os fatos vão
se juntando na memória. E assim passei meu dia – amarga e apagada.
Mas, no caminho de volta pra
casa, eis que surge ao meu lado um pôr do sol. Não qualquer pôr do sol, mas um
alaranjado, incendiando os eucaliptos a sua frente. Na intenção de contemplar
com mais nitidez, tirei os óculos escuros, mas o que vejo é um pôr do
sol cinza, ordinário, sem graça. Percebo então que foi a lente marrom dos óculos
que transformou aquele entardecer. Voltei a colocar meus óculos sobre os olhos e
segui admirando um pôr do sol que era só meu e que ardia laranja no fim da
estrada.
Naquele momento, percebi que
deveria usar “as lentes cor de rosa da vida” e, simples assim, toda raiva que esmagava meu coração
desapareceu; fisicamente extraída de dentro de mim, me trazendo leveza e um
sorriso de alívio. A decepção continua decepcionante, claro; mas não me pesa
mais, não me importa mais.
Não sei o dia de amanhã, mas o que
eu quero hoje, na minha vida, são muitos pores de sol alaranjados e, se precisar, vou seguir usando lentes
coloridas para encontrá-los.

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