segunda-feira, 28 de abril de 2014

Lentes da Vida

Hoje foi um daqueles dias atípicos em que me sinto extremamente triste. Justo eu, que apesar de ser como sou, estou sempre sorrindo e positiva. Hoje, uma pessoa muito próxima me decepcionou (afinal, só conhecemos alguém quando esse um nos decepciona). 

Uma raiva incontrolável tomou conta do meu coração. Sentimento péssimo, mas como disse, difícil de controlar. Ele se instala e tende a crescer, conforme os fatos vão se juntando na memória. E assim passei meu dia – amarga e apagada.

Mas, no caminho de volta pra casa, eis que surge ao meu lado um pôr do sol. Não qualquer pôr do sol, mas um alaranjado, incendiando os eucaliptos a sua frente. Na intenção de contemplar com mais nitidez, tirei os óculos escuros, mas o que vejo é um pôr do sol cinza, ordinário, sem graça. Percebo então que foi a lente marrom dos óculos que transformou aquele entardecer. Voltei a colocar meus óculos sobre os olhos e segui admirando um pôr do sol que era só meu e que ardia laranja no fim da estrada.

Naquele momento, percebi que deveria usar “as lentes cor de rosa da vida”  e, simples assim,  toda raiva que esmagava meu coração desapareceu; fisicamente extraída de dentro de mim, me trazendo leveza e um sorriso de alívio. A decepção continua decepcionante, claro; mas não me pesa mais, não me importa mais.


Não sei o dia de amanhã, mas o que eu quero hoje, na minha vida, são muitos pores de sol alaranjados  e, se precisar, vou seguir usando lentes coloridas para encontrá-los.

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